LUA!

Uma proposta internacional

para o novo circo em portugal

 

12 de Junho a 6 de Julho de 2004

Praça Sony - Parque das Nações

 

 

FICHA TÉCNICA

Um projecto de Tiago Laires

Direcção Artística André Gago

Concepção Plástica Marina Palácio

Coreografia Sara Castanheira

Música Original Gregg Moore

Desenho de Aéreos Adriano Marçal 

Desenho de Luz  Pedro Domingos

Desenho de Som Tiago Laires

Maquilhagem Blue

Cabelos Sara Castanheira e Mafalda Gouveia

Elenco Alípio Neto, Amilcar Azenha, André Dez, Bernardo Malabarista, Edson Carvalho, Gonçalo Lopes, Gregg Moore, Jean-Marc, Martinho Silva, Mónica Alves, Nuno Patrício, Patrícia Dias, Raquel Coelho, Rui Gonçalves, Sandra Barata, Tiago Martins, Tosta Mista Malabarista, Vasco Campos

Direcção de Cena e Coordenação de Artistas Luís Marreiros

Assistentes de Cena e Artistas Bruno Fernandes e Sérgio Leal

Massagistas Corporate Massage

Cenografia, Adereços e Figurinos Jeanette Christian, Job Morais, Maria Morais, Marina Palácio, Rita Sampaio

Execução Cenográfica E. P. C., Domingos Galamba, José Galamba, Domingos Neves, Miguel Ângelo, Nuno Bettencourt, Paulo Mosqueteiro, Tozé, Lena Martins, Sr. Carlos, Catarina, Susana Vicente, Vasco Campos

Rigging e Aéreos José Luís, Mathieu Reau, Emanuel Pereira

Operador Som Sérgio Millhano

Assistente Som Francisco Santiago

Operador Luz Pedro Ferreira

Direcção Geral Tiago Laires

Coordenação de Produção Dora Nobre

Produção  Técnica Mafalda Gouveia                                                

Comunicação e Imagem PH.COM, Paula Monteiro, Daniela Lourenço

Design Gráfico Marta Anjos

Web Master In Two

 

Contabilidade L. S. Simões

Juristas Miguel Spinola, Pedro Oliveira                                         

Coordenador de Serviços de Público Blue

Hospedeiras Espasso Latino

Produção Gráfica de Merchandising Isabel Amaral

Vigilante / Apoio de Produção Ricardo Camões

 

Electricista Carlos Sapo

Agradecimentos Loucomotivo – Associação Novo Circo, Grupo Lobo, O Espaço – Yuri Gagarini, Ângela Nobre, Miguel Cruz, Catarina Viegas, Corporate Massage - Virna Martins e equipa, Catarina Nevesdias, Staff Batatoon, Sr. Luis Costa, Miguel Camões

 

 

SINOPSE

 

Há muito, muito tempo, quando a Lua estava pousada na superfície da Terra, a Humanidade era constituída por grupos de nómadas em errância permanente. Quando o espectáculo começa, uma caravana aproxima-se do lugar onde a Lua está pousada, e aí decide montar o acampamento. Durante a primeira noite, o Cão é o primeiro a notar algo de estranho. No dia seguinte, quando todos se levantam, reparam que a Lua está a pairar uns centímetros acima do chão. Daí em diante, todas as noites, a Lua se eleva um pouco mais no ar.

 

Preocupados e surpreendidos por aquele fenómeno, os homens e mulheres decidem tentar evitar esta fuga da Lua. Cortam quatro árvores e fazem com elas quatro grandes mastros. Depois, amarrando-lhes cordas, atravessam-nas por cima da Lua, para a impedir de subir mais. Por debaixo dela estendem uma rede, para que, no caso de ela cair abruptamente, não se parta contra o chão.

 

Uma noite, o Cão uiva desesperadamente, e todos lhe atiram com sapatos. Acossado, o cão foge para a floresta, e torna-se no primeiro Lobo. Quando acordam, os nómadas encontram o chão coberto de sapatos e vêem que a Lua desapareceu. Aflitos, julgam ver ali o anúncio do fim do mundo. Mas alguns de entre eles, que têm mais que fazer do que temer pelo fim do mundo, entram em acção. Sobem às cordas, aos mastros, atravessam de um lado ao outro, procurando vislumbrar a Lua. Não tardará que o façam com grande mestria, e assim nascem os trepadores, os acrobatas, os funâmbulos e os trapezistas.

 

Cá em baixo, outros fingem ser capazes de fazer aparecer e desaparecer a Lua quantas vezes lhes aprouver. E assim nascem os ilusionistas. Outros, distraídamente, calçam alguns dos sapatos velhos que tinham ficado esquecidos no solo. Alguns ficam-lhes vários números acima, o que lhes dá um aspecto patusco que faz toda a gente rir. E assim nascem os palhaços. Como faz frio de noite, estendem uns panos entre os mastros para se abrigarem, fazendo uma grande tenda. E assim nasceu o Circo. Uma noite, a Lua reaparece, e com ela o Lobo, que uiva ao luar. É chegado o tempo de partir.

Naquele local cresce uma cidade. Outros homens ali chegados tornam-se sedentários. Os prédios elevam-se nos ares.

 

Quando o espectáculo termina, uma caravana aproxima-se do lugar onde a cidade se ergueu. São nómadas. Estão ali de passagem, para montar uma tenda de Circo no coração da cidade.

 

UMA FÁBULA

 

A História do Circo e da Lua, que serve de base a este espectáculo, é uma pequena estória, de entre as muitas possíveis, e algumas prováveis, que conta a criação de um mundo. De que mundo se trata? Depende. Talvez esta fábula fale da criação do mundo tal como o conhecemos hoje em dia. Quando a estória começa, a Lua está ainda pousada na face da Terra, e é da sua subida aos céus, até ao lugar onde se encontra hoje, que esta estória dá conta. Ou então, esta é a estória dos homens e dos seus medos, e das explicações que encontram para os grandes mistérios. Perante o espanto de um mundo em formação, com deslocação e alteração de corpos celestes, a humanidade procura respostas. A pequena comunidade de homens que, no espectáculo, vive o acontecimento da subida da Lua ao céu, não é uniforme. Alguns entram em pânico, e acham que vem aí o fim do mundo. Mas outros, com uma inquietação de diferente ordem, inventam interpretações para os factos e, aos poucos, vão criando representações daquilo a que assistem. Sobem a cordas, tentam imitar o movimento da Lua, desafiam a gravidade. E, sem se darem conta, aos poucos vão fixando aquilo a que, no circo, são os diversos números hoje conhecidos de todos: o arame, o trapézio, o malabar. Por isso, talvez esta seja, afinal, uma fábula sobre a criação de um mundo particular: o mundo do Circo. Ou talvez seja apenas uma fábula sobre esses tempos obscuros em que os animais deixaram de falar porque o Cão, que uivava à Lua, inquieto com o seu movimento de fuga, foi escorraçado pelos homens para a floresta, e se tornou em Lobo, aquele animal que ainda hoje, longe que estamos dos perigos da savana, representa para nós o grande medo, em figuração de uma qualquer besta inominável e desconhecida. Enfim, uma fábula-espectáculo sobre os nossos mundos que reinventa, como uma possibilidade, o maior espectáculo do mundo.

 

André Gago, Agosto de 2001

 

 

O Projecto:

 

Criado em 2001 com o objectivo primeiro de repensar e promover o Circo como o maior e mais avançado espectáculo em Portugal, o Circo da Lua surge com o mais inovador projecto no panorama circense nacional.

 

Lançando mão a riquíssimas experiências conceptuais que têm vindo a ser desenvolvidas pelo chamado Novo Circo, este projecto congrega várias formas de expressão artística para apresentar um espectáculo interdisciplinar de grande originalidade e qualidade.

 

Trata-se do espectáculo LUA!, distinguido pelo Ministério da Cultura Português com o subsídio máximo, em 2002, para os projectos pluridisciplinares, que explora a fusão do que de mais interessante se produz ao nível das artes performativas — teatro, música, dança, artes plásticas, acrobacia e circo, num contemporâneo tipo de criação. Dar a conhecer ao público português a linguagem reinventada e fascinante do Novo Circo, não alienando o património do circo tradicional, está assim na base de LUA!, num espectáculo jamais visto em Portugal.

 

«Aparecemos em Portugal com novas formas de pensar e representar o Circo», defende Tiago Laires, fundador do Circo da Lua e Director Geral de LUA!, e continua «Queremos contribuir para o renascimento do interesse e fascínio de um público que há muito tempo se afastou desta forma de expressão artística».

 

Ao contrário dos grandes projectos internacionais nesta área – o Cirque du Soleil é disto exemplo – que a partir dos números e as técnicas circenses encontram um fio condutor no contar da fábula, LUA! nasce da necessidade de contar uma história.

 

Adaptado do conto «O Circo da Lua» de André Gago que mereceu o prémio de revelação do APE/IPLB 2000 de Literatura para a Infância e Juventude, LUA! «é uma pequena história, de entre as muitas possíveis, e algumas prováveis que conta a criação de um mundo. De que mundo se trata? Depende. Talvez fale da criação do mundo tal como o conhecemos hoje», observa o actor e escritor André Gago e adianta «é da subida da Lua aos céus e da separação dos corpos celestes dos terrestres que ela nos dá conta. Ou então é a história dos homens e dos seus medos, e das explicações que encontram para os grandes mistérios. Alguns entram em pânico, outros criam representações daquilo a que assistem: sobem cordas, tentam imitar o movimento da Lua, desafiam a gravidade». Para ir mais longe «Será afinal a história da criação de um mundo particular, o mundo do Circo? Ou será sobre os nossos mundos que reinventa, possivelmente, o Maior Espectáculo do Mundo?»

 

Com André Gago na Direcção Artística, LUA! apresenta, a par de cinco músicos, uma selecção de doze brilhantes artistas em palco com a acção do trabalho inspirada no texto «O Circo da Lua». Com formação de dança contemporânea, apresentam técnicas tão variadas como Voos de Escalada, Elástico, Canastilha, Arame, Clown, Trapézio, Tecido, Acrobacia, Malabares, Cordas Verticais, Dança Vertical, Ilusionismo, Andas e Mastro Chinês.

 

«Na área do Novo Circo, Portugal apresenta um potencial de mercado, criativo e artístico, riquíssimo, ao qual não fomos alheios», frisa Tiago Laires.

 

O cenário, figurinos e adereços têm a Concepção Plástica de Marina Palácio. A música é o resultado de Composições Próprias Originais. Num desfile de instrumentos tão variados como o trompete, clarinete, saxofone, piano, baixo acústico, acordeão, tuba, trombone, banjo, bandolim e percussão, a música predominantemente étnica de LUA! vai-se deixando envolver por outras ambiências sonoras relacionadas com o elemento ar.

 

O Desenho de Aéreos e Acrobacia, Desenho de Luz e Coordenação de Aéreos completam a assinatura dos restantes elementos da equipa criativa de LUA!, Adriano Marçal, Pedro Domingos e Mathieu Reiu, respectivamente.

 

Tudo isto numa tenda, cujo interior se encontra dividido em duas meias luas – um quarto minguante e um quarto crescente. É nestas meias luas que se distribui o público espectador. Ao contrário dos palcos tradicionais, o palco de LUA! estende-se entre as duas plateias e percorre os 44 metros de comprimento da tenda.

 

 

 

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